Faço aqui um relato de uma experiência que tive em sala de aula nesta sexta-feira 06/11. Faço na condição de estimular ainda mais meu trabalho como também a outro(as) companheiro(as) de magistério que eventualmente venham a ler neste espaço.
Presenciei durante toda essa semana uma polêmica causada pela eleição de uma equipe num clássico trabalho de ensino médio que acontece todos os anos nesta escola chamado “Feira das nações”. Explico: é um trabalho exaustivo onde cada equipe, auxiliada por um professor(a), pesquisa e reúne informações e ambientaliza tematicamente uma sala de aula num clima de cada país com apresentações teatrais com indumentária típica, performances, curiosidades, enfim. E isso é um trabalho que envolve meses de preparo. Um trabalho belíssimo, tivesse ele outra orientação. O critério seguido durante esses anos tem sido de que no final da feira é feito um ranking dos melhores.
A última edição da feira causou um frenesi imenso e o nível de competição entre as equipes foi , pelo que percebi, em excesso. Houve muito descontentamento e constrangimentos em função
da proporção que a coisa tomou. Um trabalho que poderia ter como ênfase a cooperação, acabou desembocando numa competição típica do sistema da qual fazemos parte. Assisti a vários buchichos nos corredores, sala dos professores, banheiros, por tudo que foi lado. Criou-se um clima hostil entre os alunos.
Na quinta-feira fui para casa pensando numa intervenção em sala de aula que pudesse provocar uma reflexão sobre o que estava acontecendo. Foi então que decidi levar uma música que pudesse mexer na casa do marimbondo. Peguei meu violão, uma ferramenta fascinante que tenho utilizado na minha prática pedagógica nos últimos anos, e escolhi a dedo a música: “ O vencedor” da banda carioca Los Hermanos. O resultado foi surpreendente! A produção de sentido alcançou uma eficácia que me emocionou . Desenvolvi a partir desta música, uma reflexão sobre o mundo da competição e os males dela advindos. Houve uma identificação imediata com o contra-discurso do vencedor que propõe a letra de Marcelo Camelo. Caiu como uma luva. Os alunos repensaram suas atitudes. Disse a eles o quanto já havia perdido em várias situações da vida, nas apostas, nas esperanças, no amor, no jogo, etc, mas que não havia perdido “a glória de chorar” como diz a música. Que perder também é um aprendizado. Que chorar também é uma glória. E que a obrigação de sucesso de ser um vencedor sempre é na verdade, algo que nós é imposto por forças externas e que podemos olha-las criticamente. Houve discussão, os olhinhos brilhavam enquanto falavam e repensavam suas atitudes. Confesso que aquilo me encheu de alegria. Por mais paradoxal que possa parecer, me senti naquele momento um vencedor. Senti que havia conseguido alcançar meu objetivo.
E isso...
Trecho da música:
Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor