domingo, 22 de novembro de 2009

Marco

Fui ontem assistir a Marco, uma peça de teatro que está em cartaz na Cidadela Cultural Antartica. A narrativa do menino que passa a descobrir o universo feminino numa analogia com as estrelas cadentes. A peça é de uma poética absurdamente encantadora. O ator Vinicius Cunha está maravilhoso. Me emocionei a medida que o monólogo foi se desenvolvendo passando a dialogar como a minha experiência de infância. Ah!!!! as minhas Marias no despertar da aurora de minha vida!
Recomendo.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma aula diferente

Faço aqui um relato de uma experiência que tive em sala de aula nesta sexta-feira 06/11. Faço na condição de estimular ainda mais meu trabalho como também a outro(as) companheiro(as) de magistério que eventualmente venham a ler neste espaço.

Presenciei durante toda essa semana uma polêmica causada pela eleição de uma equipe num clássico trabalho de ensino médio que acontece todos os anos nesta escola chamado “Feira das nações”. Explico: é um trabalho exaustivo onde cada equipe, auxiliada por um professor(a), pesquisa e reúne informações e ambientaliza tematicamente uma sala de aula num clima de cada país com apresentações teatrais com indumentária típica, performances, curiosidades, enfim. E isso é um trabalho que envolve meses de preparo. Um trabalho belíssimo, tivesse ele outra orientação. O critério seguido durante esses anos tem sido de que no final da feira é feito um ranking dos melhores.

A última edição da feira causou um frenesi imenso e o nível de competição entre as equipes foi , pelo que percebi, em excesso. Houve muito descontentamento e constrangimentos em função
da proporção que a coisa tomou. Um trabalho que poderia ter como ênfase a cooperação, acabou desembocando numa competição típica do sistema da qual fazemos parte. Assisti a vários buchichos nos corredores, sala dos professores, banheiros, por tudo que foi lado. Criou-se um clima hostil entre os alunos.

Na quinta-feira fui para casa pensando numa intervenção em sala de aula que pudesse provocar uma reflexão sobre o que estava acontecendo. Foi então que decidi levar uma música que pudesse mexer na casa do marimbondo. Peguei meu violão, uma ferramenta fascinante que tenho utilizado na minha prática pedagógica nos últimos anos, e escolhi a dedo a música: “ O vencedor” da banda carioca Los Hermanos. O resultado foi surpreendente! A produção de sentido alcançou uma eficácia que me emocionou . Desenvolvi a partir desta música, uma reflexão sobre o mundo da competição e os males dela advindos. Houve uma identificação imediata com o contra-discurso do vencedor que propõe a letra de Marcelo Camelo. Caiu como uma luva. Os alunos repensaram suas atitudes. Disse a eles o quanto já havia perdido em várias situações da vida, nas apostas, nas esperanças, no amor, no jogo, etc, mas que não havia perdido “a glória de chorar” como diz a música. Que perder também é um aprendizado. Que chorar também é uma glória. E que a obrigação de sucesso de ser um vencedor sempre é na verdade, algo que nós é imposto por forças externas e que podemos olha-las criticamente. Houve discussão, os olhinhos brilhavam enquanto falavam e repensavam suas atitudes. Confesso que aquilo me encheu de alegria. Por mais paradoxal que possa parecer, me senti naquele momento um vencedor. Senti que havia conseguido alcançar meu objetivo.

E isso...


Trecho da música:

Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Catarse

Brincar ou se entreter com algo repugnante, não tornará necessariamente aquele que o faz num entulho social. É um ato que não pode ser visto como um prenúncio de um futuro assombroso.


Catarse é uma palavra de origem grega que significa purificação, purgação. A Poética de Aristóteles faz alusão a esse acontecimento emocional sobre o público que assiste a uma peça teatral, mais particularmente uma tragédia. Sinto isso quando vou ao teatro, quando vou ao cinema, quando estou diante de uma obra literária, em fim.

Estou dizendo isso porque frequentemente ouço argumentos pedagógicos que quase sempre, estabelecem uma relação de causa e efeito sobre os “maus exemplos” de filmes, obras literárias, etc sobre a juventude. É um argumento que repousa sobre a mimesis (outra palavra grega que designa imitação). Acredita-se que o jovem ou adolescente que assiste cenas de violência num filme ou lê palavrões numa obra literária irá imitar na vida prática. Quando era pequeno adorava brincar de revolveres e pistolas, gostava muito dos filmes de bang bang e nem por isso havia uma vocação criminosa latente em mim que me transformaria num matador depois de adulto. Li hoje sobre um caso muito curioso de uma cidade do Rio Grande do Sul que tem deixados pais, educadores e autoridades de cabelos em pé. As crianças inventaram uma brincadeira com pó de giz, fazendo de conta que o pó branco é cocaína. Com pó de giz em pacotinhos, as crianças se punham a campo brincando, cheirando, vendendo e comprando. Brincam de traficantes. Isso tornou-se um escândalo e motivo de alarde total.

Brincar ou se entreter com algo repugnante não tornará necessariamente aquele que o faz num entulho social. É um ato que não pode ser visto como um prenúncio de um futuro assombroso.

É isso...

domingo, 18 de outubro de 2009

Bancarrota Blues

Música composta por Chico Buarque e Edu Lobo na década de 90. Contexto de privatizações, prato predileto do neoliberalismo. O que o autor insinua na letra dessa canção sobre esse balcão de negócios em que se transformara o Brasil? "mas posso vender"... aí vai o link de um vídeo doméstico que gravei está canção:

http://www.youtube.com/watch?v=4ALcwOLmkR4

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Recesso

Uma vez Nietzsche disse que a condição para se passar num exame de doutoramento era ter desenvolvido o gosto pelas coisas chatas. Neste dias de recesso do mundo dos blogs, tenho me internado na escrita de um projeto de mestrado. Não agüento mais regras da ABNT e todos esses demônios da burocracia me atazanando. Nunca pensei que Nietzsche estivesse tão certo.