As leituras que pensadores como Nietzsche, Freud, Foucault, entre outros, fizeram sobre a modernidade tornou perceptível algum tipo de sombra sobre o animal humano. Nossa infelicidade resulta de certo modo, de um mundo que nós próprios o inventamos. Talvez por isso não nos sentimos completamente em casa. Marshall Berman diz em “Tudo que é sólido se desmancha no ar” que nenhum papel social da modernidade nos cai como figurino perfeito. Numa leitura preciosíssima de Dostoievisk Berman sugere que inventamos a modernidade; criamos um edifício e descobrimos depois de pronto, não conseguir habitá-lo. Descobrimos-nos tão desafortunados como o Fausto do poema de Goethe. Para o autor a aventura da modernidade é ao mesmo tempo a tragédia do desenvolvimento.

Acabei de ver o filme do Jabor “A suprema felicidade”. Gostei muito, sobretudo porque trata do tema da felicidade como uma busca, jamais como algo alcançado; ninguém parece se sentir em casa, da criança ao idoso, todos buscam a felicidade. Em certa altura o avô diz ao neto que a felicidade não existe, o que existe é a alegria. Ser alegre é viver a vida mesmo quando ela despeja sobre a gente seu sopro contrário. É a voz da sabedoria da velhice. Difícil não concordar com esta idéia.

A felicidade parece estar sempre distante. Para o adulto está num passado idílico da infância, num tempo que era feliz e não sabia. Para a criança a felicidade está num futuro também idealizado, onde não mais dependerá de outras pessoas, num mundo de completa autonomia. Nesta perspectiva a felicidade é algo que não pode ser apreendida pela experiência temporal. Não somos felizes porque a felicidade ainda não chegou ou porque seu tempo passou. O filme de Jabor não tem um final. Ele permanece aberto.

Pouco importa se a felicidade existe. O que importa é que existem momentos alegres. Ver um bom filme, às vezes escrever coisas, tocar violão, tirar uma música nova, dar uma boa aula numa escola pública, beber com os amigos.


3 comentários:

  1. Anônimo says:

    Trilha sonora de arromba! E o Nanini tá ótimo!
    abraço,
    João

  1. Záia says:

    Olha o Nanini boemio tocando trombone de vara é algo.
    Sem contar que jamais imaginaria ouvir "Todo o sentimento" em versão choro ambientado no anos cinquenta.

    abraço João.

  1. B. says:

    Cara, felicidade não existe! É tuuuuuddooo ilusão! Vc não é feliz, vc está feliz! Isso é comprovado por psicólogos e estudiosos há séculos!
    E essa semana foi divulgado um estudo que afirma q o ser humano mede o nível da sua felicidade comparando-se com o outro. Eu comparo oq eu tenho com vc, se eu tiver mais, eu sou feliz e vc não.
    Depois, que eu concordo com um texto do Ernest Clint em q ele fala q "Os seres humanos vivem em busca de algo para serem felizes. Todos os outros animais podem simplesmente SER".

    E ultimamente tô sempre dizendo q felizes são os cães, que são cães!
    ;)

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