Sabia que havia uma decisão a tomar e estava prestes. O agora urgia, algo teria que ser feito, mas sentiu medo. Uma coisa era precisa, não parecia querer abrir mão do que se impunha sobre seu caminho (caminho não, encruzilhada) que como nunca, o obrigava a uma escolha intertemporal. Poderia talvez transpor para o campo da existência o plano desenvolvimentista de JK, de cinqüenta anos em cinco, mas havia incerteza quanto ao preço. Havia dúvidas sobre o custo benefício. Parecia não conceber, que justo ele, que sempre gozou da aventura faustiana, que agora se manifestava para ele como uma epifania no presente, não raciocinava direito sobre qual atitude tomar. Pesou os sentimentos, o valor da alma, até mesmo se Mefistófeles cumpriria o acordo de fato. Por fim tomou coragem, disse a sorte está lançada; não havia nada de original, nem no que se propôs a fazer nem na frase dita; já não importava a vida padecer de originalidade; diante do retrato de seu pai, verificou pentes e munição, vestiu-se bem e foi.

2 comentários:

  1. Adorei a narrativa! Cheia de repertório e ainda assim original em cada interpretação particular. :D

    Beijos, beijos!
    Ana

  1. Záia says:

    que bom que gostou Aninha.obrigado pela leitura e observação.

    bj

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