O que é um conservador? Sem dúvida é uma pecha proclamada para definir o outro é claro. Ou alguém se autodefinine como uma pessoa conservadora? Mas ao definir o outro como conservador estamos na verdade nos definindo como progressistas, uma palavra bonita, cercada pela aura de um pensamento moderno, avançado no tempo e politicamente correto. Há certo número de intelectuais “progressistas”que conheço que superestimam suas posições políticas e ideológicas considerando anátema qualquer posicionamento fora de sua ortodoxia. Deste modo uma forma de desqualificar o outro e seus argumentos é definí-lo como conservador, pecado imperdoável para figuras que se arvoram em seus pedestais de verdades.
Ninguém gosta de ser tachado com uma pecha é verdade, mas pensando bem, ser conservador não é sempre algo pejorativo. Eu me considero conservador em vários aspectos e não vejo problema nenhum. Explico-me. Pessoas felizes em geral são conservadoras, os namorados apaixonados são conservadores, não admitem nada que possa desestabilizar o seu amor e sua felicidade, mas e daí? Algum problema em ser conservador quando Levo o carro ao mesmo mecanico há anos, quando vou no mesmo dentista e no mesmo cabeleireiro? Provavelmente não cara pálida! E até mesmo quem se considera progressista deve ter o seu lado conservador.
E mais, já mudei minha opinião e posicionamento várias vezes porque o que considero certo em dado momento poderá não o ser em outro, a não ser que me considerasse um intelectual imbuído de certezas, mas felizmente dessa patologia eu não sofro.
O excesso de convicção é uma entidade pior que o demônio pois sempre irá tranformar o outro em portador da heterodoxia, logo merecedor da fogueira. Não me envergonho em mudar minhas posições e tomo Nietzche, outro “conservador”, como aliado. Há um aforismo seu que diz que a serpente que não consegue mudar de pele morre, assim são todos os espíritos que não conseguem mudar de opinião, simplismente deixam de existir.
Dossiê Ricardo Murad
1 hora atrás

